20/05/2026
Encerrando ciclos e expandindo o campo para novos trabalhos 20/05/2026 Régia Prado. Boa noite, meus queridos. Hoje nós nos reunimos em um momento muito especial: um momento de fechamento, mas também de abertura. Encerrar ciclos nem sempre é simples.
Às vezes, achamos que encerrar significa abandonar, perder, desistir ou deixar para trás algo que foi importante. Mas, na verdade, encerrar um ciclo é reconhecer que uma etapa cumpriu sua função. É olhar para tudo o que foi vivido, aprendido, atravessado e transformado, e dizer: “eu honro este caminho, mas já não preciso permanecer exatamente no mesmo lugar”.
Todo ciclo deixa marcas. Algumas são leves, bonitas, luminosas. Outras foram difíceis, exigiram coragem, paciência, persistência e, muitas vezes, silêncio. Mas nada do que foi vivido se perde quando nós encerramos com consciência. Pelo contrário: aquilo que foi integrado se transforma em base. Vira raiz. Vira sabedoria. Vira presença. E talvez essa seja uma das grandes chaves deste momento: não estamos aqui para apagar o passado. Estamos aqui para recolher dele a força que nos trouxe até aqui.
Cada trabalho realizado, cada encontro, cada atendimento, cada vivência, cada aluno, cada interagente, cada processo aberto dentro de nós ajudou a formar este campo. Um campo não nasce pronto. Ele é construído na repetição amorosa do serviço, na confiança, na entrega, nos erros, nos ajustes, nos recomeços e nas confirmações que a vida nos dá ao longo do caminho. E hoje, ao encerrarmos ciclos, nós também reconhecemos que existe algo novo pedindo passagem. Expandir o campo para novos trabalhos não significa simplesmente fazer mais coisas. Não é acumular tarefas, cursos, projetos e compromissos, como se a alma precisasse virar uma agenda lotada. Expandir o campo é permitir que aquilo que já amadureceu dentro de nós encontre novas formas de expressão.
Às vezes, o novo trabalho nasce como uma ideia. Às vezes, nasce como um chamado. Às vezes, vem como uma inquietação que não nos deixa mais caber na forma antiga. E, muitas vezes, ele chega antes de estarmos completamente prontos.
Porque o novo raramente pede licença com educação. Ele bate à porta, desloca móveis internos e diz: “vamos, já passou da hora”.
Mas existe uma diferença muito grande entre correr para o novo e caminhar para o novo com presença. Hoje, eu convido cada um de vocês a perceber: o que dentro de mim precisa ser encerrado com gratidão?
Que histórias, medos, formatos, expectativas ou pesos já cumpriram sua função? E que parte de mim está pronta para se colocar a serviço de uma nova etapa? Porque expandir o campo também exige responsabilidade. Quando um campo cresce, ele precisa de mais clareza. Mais coerência. Mais escuta.
Mais alinhamento entre aquilo que dizemos, aquilo que fazemos e aquilo que sustentamos energeticamente no mundo. Não basta abrir novos trabalhos se a nossa estrutura interna continua presa ao velho. Não basta desejar expansão se ainda estamos carregando culpas, dúvidas antigas ou compromissos que já não vibram com a nossa verdade. Por isso, o encerramento de ciclos é tão sagrado. Ele limpa o terreno. Ele organiza a casa interior. Ele nos devolve energia. Ele nos permite olhar para o futuro não como fuga, mas como continuidade consciente. Hoje, eu honro tudo o que nos trouxe até aqui. Honro os encontros que floresceram. Honro os processos que se concluíram. Honro os desafios que nos amadureceram. Honro também aquilo que não deu certo, porque muitas vezes o que não se realiza nos protege, nos ensina ou nos redireciona. E, acima de tudo, honro a coragem de continuar criando. Porque criar novos trabalhos é um ato de fé.
É escutar algo invisível e dar forma. É confiar em uma inspiração antes que ela esteja completamente explicada. É permitir que a vida nos use como ponte entre o que já existe no campo sutil e aquilo que precisa nascer na matéria.
Que este momento marque, então, uma passagem. Que possamos encerrar o que precisa ser encerrado sem peso, sem drama e sem apego. Que possamos agradecer ao caminho feito, mas sem transformar o passado em prisão.
Que possamos abrir espaço para novas formas de servir, ensinar, curar, criar, comunicar e tocar vidas. Que os novos trabalhos venham com beleza, mas também com estrutura. Com inspiração, mas também com direção. Com expansão, mas também com enraizamento. Que cada pessoa aqui possa sentir que faz parte de um campo vivo. Um campo que não pertence apenas a uma ideia, a uma ferramenta ou a uma técnica, mas a uma consciência em movimento. E que, ao sairmos daqui, cada um leve consigo uma pergunta simples e poderosa:
“O que em mim está pronto para terminar, e o que em mim está pronto para começar?” Que este encerramento seja leve. Que esta expansão seja verdadeira. E que os novos trabalhos que se aproximam encontrem em nós um coração disponível, uma mente clara e mãos prontas para construir.
Gratidão!