08/06/2026
Aonde cabe o medo?
Desde que dou consultas que aconselho caminhadas. Através das minhas publicações e exemplo - por isso as faço - recebo este tipo de comentários:
- que gosto de bichos
- que não tenho medo
- que sou corajosa
- que tenho tempo (?)
Caminho regularmente pela natureza desde a pandemia. Ia sozinha porque não tinha companhia. Ia com medo. Um dia fiquei sem bateria no iPod. Percebi que era melhor assim. Outro dia fiquei sem bateria no telemóvel. Percebi que não era um problema. Comecei a ir cada vez mais longe. Comecei a gostar. O desconforto e o medo diminuem ao ritmo dos km's.
Quis sair do concelho. Demorei anos. Não fazia sentido gastar combustível para ir andar! As coisas que o medo diz...
Em 2024 fui a Fafe sozinha, caminhar com um grupo de desconhecidos.
Depois fiz o meu primeiro trilho marcado sozinha.
Fui a Celorico.
Depois a Cabeceiras, a Marco de Canaveses, a Vila Meã...
Este ano comecei a ter companhia muitas vezes e o medo voltou...
Este fim de semana voltei aos trecks sozinha. Fui cheia de medo. De cobras, de cães. Não sabia se ia conseguir passar na ponte passei e quis vir logo embora, segui. Fui mais uns Km e quis vir embora, segui.
Entretanto, o medo e o desconforto foram substituídos pela certeza de que eu era capaz e fiz tudo.
Não gosto de bichos, tenho medo de muitas coisas, tenho o mesmo tempo que tu (24h), a única diferença é que eu faço as coisas que quero mesmo temendo. Eu vou para além da dor, porque a vida não é só prazeres. Evitar não trás espaço mas raiva, frustração e mais medo.
E a verdade é que, a minha reação perante a cobra foi parar para lhe tirar uma fotografia...
O cérebro muda ao ritmo da pegada.