08/05/2026
Aos 25, suprimimos. Aos 50, repomos. Faz sentido a quem?
Reparaste nesta sequência?
Entras na puberdade. Aos poucos, o teu corpo aprende a fazer estrogénio, progesterona, testosterona. Hormonas que não regulam só o ciclo. Regulam o osso, o coração, o cérebro, o humor, a glicose, o sono, a imunidade. Os ovários não são órgãos reprodutores que por acaso fazem hormonas. São glândulas endócrinas, com um papel sistémico, que por acaso também participam na reprodução.
Aos 18, 20, 25, alguém te oferece uma pílula. Para a acne. Para o período doer menos. Para regular. Para "descansar os ovários", expressão que, vista de perto, não faz sentido fisiológico nenhum. Tomas. Suprimem-se as tuas hormonas verdadeiras. Recebes versões sintéticas, que o fígado processa de outra forma, que aumentam ligeiramente o risco de tromboses, que mexem com lípidos, com inflamação, com a glicose, com a tiróide, com a vitamina D. Coisas que as tuas hormonas naturais não faziam.
20, 30 anos depois, chegas à menopausa. E o discurso muda.
Agora faltam-te hormonas. Agora és deficiente. Agora precisas de repor.
As mesmas hormonas que foram suprimidas com leveza quando o teu corpo as fabricava com perfeição, tornam-se de repente indispensáveis no momento em que biologicamente é suposto baixarem.
Quem ganha em definir o teu corpo como sempre, em qualquer fase, ligeiramente avariado?
A fase fértil não é um excesso. A menopausa não é uma deficiência.
E eu criei um programa dedicado a mulheres nesta fase - sabe mais no link da bio