26/06/2026
Rótulos
É mais fácil ler o rótulo de um hambúrguer do McDonald’s do que dos “ingredientes” que compõem uma pessoa.
Os processados têm uma receita pensada para agradar a muitos. Nós somos bastante mais complexos e menos matemáticos.
Sou mãe, filha, nutricionista, amiga, irmã, faço rádio, detesto pimentos e café, jogo xadrez tão mal como toco piano, chorona com tudo (até com filmes da Disney!). Sou de 81, millennial, beta de Cascais e, entre muitas outras definições possíveis, sou Metaleira.
Mas mesmo assim, vou de Sepultura a Whitney, de Marley a Etta James, de Sinatra a Tina, de AC/DC a Eminem, de Queen a Prince, de Nina Simone a Bowie, de Maiden a Beatles, de Pretenders a Debussy e não saberia viver sem música.
Há uns dias fui ao Rock in Rio e fiz o gesto típico de quem cresceu a ouvir metal quando me fotografaram. A imagem foi publicada na imprensa e comecei a receber mensagens. Muitas! Nenhuma foi mesmo ofensiva, mas várias diziam que aquele gesto não me ficava bem, que eu já não tinha idade para aquilo, que devia ter mais noção da minha “figura”, que era feio ou até machista. Uma delas: “Dra. Rita, desculpe dizer isto, mas acho que devia pedir para apagar esta fotografia, pois está a fazer um gesto bastante ofensivo.”
Os rótulos são redutores e, às vezes, também magoam.
O maloik simboliza amor pela música. Vem de um gesto antigo de proteção contra a maldade. Não é agressivo nem é falta de educação.
Desculpem se ofendi alguém.
Acredito que devíamos ser menos duros com quem está so a tentar estar bem, sem magoar ninguém, a ouvir música e a dançar ao ritmo que a vida vai tocando.
Beijinhos da vossa nutri metaleira, com imenso amor. 🤘🏻
PS: Se tiverem uma foto com o gesto Maloik, partilhem e identifiquem-me. ❤️