05/04/2026
Não é raro que pais e educadores me questionem sobre o que fazer em relação às brincadeiras com lutas e outros comportamentos que podem parecer mais agressivos, principalmente entre os rapazes. Devemos impedir? Separar? Ralhar e pôr de castigo?
Na verdade, na maioria dos casos, estes comportamentos fazem parte do desenvolvimento saudável, e há diversos estudos recentes que o comprovam.
Na infância, o cérebro ainda está em desenvolvimento, especialmente as áreas responsáveis pela regulação emocional e controlo de impulsos. As chamadas brincadeiras de luta podem ser importantes para o desenvolvimento de competências sociais e motoras, além de promoverem um maior autocontrolo emocional/comportamental e permitirem experimentar limites de forma segura. Além disso, quando as emoções são muito intensas, a criança pode não ter recursos suficientes para as gerir de forma mais ajustada, e a agressividade pode surgir (muitas vezes como uma forma de expressão, e não com intenção de magoar propositadamente).
Muitos pais questionam também o uso de brinquedos e objetos que simulam armas, como espadas e lanças, mas eles também assumem um papel importante, funcionando muitas vezes como forma de integrar e transformar impulsos agressivos, que fazem parte da natureza humana. A dimensão simbólica da brincadeira é essencial, pois permite à criança explorar o mundo interno e externo de forma segura. Ao brincar, a criança transforma a realidade, experimenta papéis, expressa emoções, elabora medos e dá significado às suas experiências. É neste lugar, entre o real e o imaginário, que a criança começa a compreender-se a si própria (e aos outros).
Aqui, o papel do adulto também é fundamental, não para eliminar estes comportamentos, mas para supervisionar, ensinar e orientar. É importante trabalhar limites e oferecer alternativas caso se perceba que as brincadeiras começam a pôr em causa a segurança das crianças ou quando existe intenção clara de magoar.
Na nossa clínica podemos ajudar a esclarecer esta e outras questões, através de consultas de acompanhamento parental.