12/06/2016
Auto-estima ou auto-compaixão?
Quem não quer ter uma boa auto-estima? Para quê a auto-compaixão quando se pode ter uma boa auto-estima?
A auto-estima tem sido uma das noções chave da psicologia, estreitamente associada à saúde mental e, por isso, assumida como um dos principais objetivos de uma psicoterapia.
No entanto, várias investigações mais recentes têm relativizado a importância deste conceito e acentuado a primordialidade de outro: o da auto-compaixão.
A verdade é que, no mundo de hoje altamente competitivo, é a auto-estima que está na moda: o meu valor, a estima que eu me atribuo, está intrinsecamente ligada à minha "quota de valor no mercado", ou seja, se me considero melhor ou pior que os outros em determinados aspetos. Ter-se em boa consideração está quase sempre relacionado (implicita ou explicitamente) com a comparação que faço com os outros à minha volta. Deste modo, é altamente contingente dos sucessos ou insucessos, bem como, do contexto competitivo. Além disso, uma auto-estima muito elevada pode prejudicar a relação com os outros (complexo de superioridade) ou ser violentamente abalada por um (grande) insucesso.
Se observarmos de perto, podemos ver que a auto-compaixão contém em si os principais benefícios de uma boa auto-estima, sem os problemas e desvantagens da mesma. Isto porque, ao invés de se focar no que de especial ou diferente eu tenho dos outros, foca-se no que eu tenho de comum: sou humano, imperfeito com vontade de ser feliz mas que inevitavelmente sofre porque existem sempre problemas. Ter auto-compaixão é compreender que este sofrimento é inevitável e humano, trazendo aceitação, compreensão, tolerância e bondade ao próprio.
Na prática, ter auto-compaixão é tratarmo-nos como trataríamos a pessoa mais querida da nossa vida: com profunda aceitação, empatia e apoio nos momentos piores, e profunda alegria e deleite nos momentos melhores. É bastante simples! Nada de extraordinário na teoria, mas completamente transformador na prática. E é realmente uma questão de prática! Quanto mais praticarmos a auto-compaixão em momentos bons, mais fácil será aplicá-la em momentos difíceis. Na verdade, treinar esta capacidade é mesmo uma das (senão a mais!) dádivas maiores que podemo-nos dar a nós... a ao mundo! Porque quanto mais auto-compaixão tivermos, mais (hetero-)compaixão teremos. E o que é mais importante do que amar e ser amado?
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