11/08/2026
A FEI vai levar ao Campeonato do Mundo de Aachen 2026 uma medida que merece destaque: a monitorização e proteção de atletas e oficiais contra o abuso online.
Depois de um projeto-piloto nas Finais da Taça do Mundo, em Fort Worth, a federação voltou a recorrer à tecnológica britânica Signify e ao seu sistema Threat Matrix, que combina inteligência artificial e análise humana para identificar, avaliar e investigar situações de assédio nas redes sociais, em tempo real.
Em Aachen, o trabalho será feito em articulação com a Federação Equestre Alemã e incluirá alertas imediatos, moderação de conteúdos e apoio às equipas de comunicação, segurança e salvaguarda.
Gostaria de salientar este reconhecimento importante, que o abuso digital deixou de ser tratado como “ruído” para passar a ser encarado como aquilo que é, um risco concreto para o bem-estar de quem compete e trabalha no desporto.
Comentários hostis prolongados, mensagens ameaçadoras e campanhas coordenadas têm um custo psicológico real, sobretudo em momentos de maior exposição, como grandes competições ou debates públicos sobre o bem-estar equino.
Há, porém, uma linha que importa preservar. Proteger pessoas do abuso não é o mesmo que silenciar a crítica. O escrutínio informado e o debate respeitoso, incluindo sobre o bem-estar do cavalo, são parte saudável do desporto e devem continuar a existir. A distinção entre criticar e agredir é subtil no discurso, mas decisiva na experiência subjectiva de quem a recebe.
Medidas como esta não resolvem tudo, mas assinalam uma mudança de cultura: cuidar de quem está sob os holofotes é também cuidar da integridade e continuidade do desporto equestre.
Fotos ©️FEI / Liz Gregg
Psicologia RedesSociais