19/08/2026
SIBO
1. O que é?
2. Revisões científ**as mais recentes
3. Conclusão
1. O QUÊ É?
O sobrecrescimento (ou hiperproliferação) bacteriano do intestino delgado (SIBO, em inglês, crescimento bacteriano excessivo do intestino delgado) ocorre quando há um aumento anormal da população bacteriana total no intestino delgado — particularmente tipos de bactérias que não se encontram frequentemente nessa parte do trato digestivo. Esta condição é por vezes chamada de síndrome do laço cego.
O SIBO ocorre frequentemente quando uma circunstância — cirurgia ou doença — retarda a passagem de alimentos e resíduos pelo trato digestivo, criando um terreno fértil para bactérias. O excesso de bactérias frequentemente causa diarreia e pode causar perda de peso e desnutrição.
Embora o SIBO seja frequentemente uma complicação da cirurgia abdominal, esta condição pode também resultar de problemas estruturais e algumas doenças, tais como:
Hipotiroidismo
Diabetes
Doença de Parkinson
Infecção pelo VIH, déficit em IgA
Endometriose
Alterações estruturais do intestino delgado como diverticulos
Dietas com alimentos predominantemente processados e desiquibradas
Obstipação crónica.
E/OU:
Todos os fármacos que interferem na normal motilidade dos intestinos(movimentos peristálticos), stress crónico e disfunções do nervo vago.
LISTA INTERMINÁVEL.
QUE CONSEQUÊNCIAS TRARÃO PARA A DISBIOSE, DA QUAL NINGUÉM FALA?
A Síndrome de hiperproliferação bacteriana no intestino delgado é uma disfunção de que se fala, mas que ninguém corrige as verdadeiras causas.
Quando o ácido gástrico normalmente está presente no estômago para iniciar a digestão (ou continuar, pois começa logo na boca com a saliva) está diminuído ou desequilibrado, podem ocorrer problemas intestinais.
Quando a nossa alimentação potencia um fígado gordo, (açúcares, gorduras animais, álcool - até na TV vi promoção de refeições tipo "foie gras'' frito, alheiras, refogados, ovos moles e isto na promoção do TURISMO GASTRONÓMICO...)
Dizia eu, quando comemos lácteos, carnes, processados, fritos e doces, propiciamos uma alteração na produção e armazenamento da bílis. Os sucos biliares alterados juntamente com a alteração do ambiente ácido do estômago...são o início de quase todas as patologias, incluindo o refluxo gástrico-esofágico...aliado ao excesso de peso e falta de exercício e obstipação considerada normal (faço dia sim, dia não) levam ao SIBO e o SIBO é o terreno fértil de quase tudo do que é mau no nosso organismo.
E as crianças, cheias de cólicas, diarreias e obstipação, a maioria das vezes bastante gordinhas e mal nutridas?
Deixo aqui um link interessante:
Small Intestinal Bacterial Overgrowth in Children: A State-Of-The-Art Review
David Avelar Rodriguez1*, Paul MacDaragh Ryan2, Erick Manuel Toro Monjaraz1, Jaime Alfonso Ramirez Mayans1 and Eamonn Martin Quigley.
2. REVISÕES CIENTÍFICAS MAIS RECENTES
Revisão Arq Gastroenterol 17 de fevereiro de 2025:62:e24107. doi: 10.1590/S0004-2803.24612024-107. eCollection 2025.
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO SOBRECRESCIMENTO BACTERIANO DO INTESTINO DELGADO: UM DOCUMENTO DE POSICIONAMENTO OFICIAL DA FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE GASTROENTEROLOGIA
Bruno César da Silva 1, Gabriela Piovezani Ramos 2, Luisa Leite Barros 3, Ana Flávia Passos Ramos 4, Gerson Domingues 5, Décio Chinzon 3, Maria do Carmo Friche Passos 4
Afiliações Expandir
PMID: 39968993 PMCID: PMC12043196 DOI: 10.1590/S0004-2803.24612024-107
Resumo em inglês e português
Contexto: O sobrecrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO) é uma condição caracterizada por um aumento anormal da população bacteriana no intestino delgado, levando a sintomas como inchaço, Dor abdominal, distensão, diarreia e, eventualmente, má absorção. O diagnóstico e a gestão da SIBO continuam a ser desafiantes devido à sobreposição de sintomas com outras doenças gastrointestinais, como a doença inflamatória intestinal (DII), a síndrome do intestino irritável (SII) e a doença celíaca.
Objectivo: Este artigo visa rever a evidência actual sobre o diagnóstico e o tratamento da SIBO, com enfoque nas estratégias adequadas ao sistema de saúde brasileiro.
Métodos: Foi realizada uma revisão abrangente da literatura, com foco nas guidelines clínicas, ensaios clínicos randomizados e estudos de coorte sobre SIBO. Os métodos de diagnóstico, incluindo te**es respiratórios e técnicas de aspiração direta, foram analisados de forma crítica. As abordagens de tratamento, incluindo antibióticos, modif**ações dietéticas e probióticos, foram revistas. As recomendações foram formuladas com base num painel de gastroenterologistas, membros da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), com aprovação da maioria dos membros.
Resultados: Os te**es respiratórios com glicose e lactulose continuam a ser as ferramentas de diagnóstico não invasivas mais utilizadas, embora apresentem limitações como os resultados falso-positivos e falso-negativos. O tratamento com rifaximina é ef**az na maioria dos casos de SIBO, enquanto os antibióticos sistémicos, como o metronidazol e a ciprofloxacina, são alternativas. Os probióticos e as intervenções dietéticas, particularmente as dietas com baixo teor de FODMAP, podem complementar a antibioterapia. O seguimento a longo prazo é essencial devido à elevada taxa de recorrência, comum em doentes com SIBO.
3. CONCLUSÃO
Conclusão: A padronização do diagnóstico e tratamento da SIBO no Brasil é essencial para reduzir os atrasos diagnósticos e otimizar o atendimento, especialmente considerando as disparidades e a heterogeneidade na prática clínica em todo o país. Este artigo fornece recomendações baseadas em evidências para orientar a prática clínica. São necessárias mais pesquisas para refinar os métodos de diagnóstico, explorar novas estratégias de tratamento e compreender melhor as características específ**as da população portuguesa.
www.fatimasantiago.com