20/05/2026
Este trabalho não nasceu só do estudo.
Nasceu também da minha história.
Durante muito tempo, não percebi com clareza o impacto que o abuso, a violência e as relações tóxicas tinham deixado em mim.
Sentia dor, confusão, culpa, vergonha e medo.
Sentia o peso no corpo, nas escolhas e na forma como me relacionava.
Mas ainda não via como aquelas experiências se tinham infiltrado em tantas áreas da minha vida.
Só anos mais tarde, no meu caminho de autodescoberta, isso se tornou impossível de ignorar.
Percebi que o que vivi não tinha ficado no passado.
Tinha entrado na forma como eu amava, me protegia, duvidava de mim e me afastava de mim.
E percebi algo importante:
Se continuasse a ignorar o que sentia, ia continuar a viver em sofrimento.
Foi por isso que pedi ajuda.
Ajuda profissional, livros, cursos, desenvolvimento pessoal e espiritual.
Não para apagar o que vivi.
Mas para deixar de permitir que comandasse a minha vida, os meus relacionamentos e a forma como eu me via.
É por isso que este trabalho me é tão pessoal.
Porque sei o que custa perdermo-nos.
E sei o que muda quando voltamos a nós.
Acredito profundamente nisto:
Pedir ajuda não é fraqueza.
É coragem.
Nem sempre tem a ver com uma experiência traumática evidente.
Às vezes, é sobre algo que te feriu, condicionou, deixou num vazio ou prendeu à culpa, medo e repressão emocional.
Se tu, ou alguém que conheces, vive uma relação abusiva, tóxica, confusa ou desequilibrada… lembra-te:
O silêncio, muitas vezes, parece proteção.
Mas por dentro corrói a clareza, a autoestima, o corpo e a vontade de viver.
Às vezes, o primeiro passo não é sair, confrontar ou ter tudo claro.
É falar com alguém em segurança.
Dizer em voz alta:
“Eu acho que isto não está bem.”
“Eu já não sei quem sou nesta relação.”
“Eu preciso de ajuda.”
E isso já é coragem.
Se este texto tocou em ti, não ignores esse sinal.
Envia-me mensagem em privado.
Não precisas de explicar tudo.
Podes começar só por dizer:
“Preciso de falar.”