SPMD - Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva

SPMD - Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva Divulgação das actividades científicas da Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva

A participação desportiva de pessoas transgénero exige ciência, prudência e rigor.Uma revisão sistemática com meta-análi...
18/06/2026

A participação desportiva de pessoas transgénero exige ciência, prudência e rigor.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada no British Journal of Sports Medicine analisou 52 estudos e 6485 participantes, comparando composição corporal e aptidão física entre pessoas transgénero e cisgénero.

Os dados mostram diferenças em alguns parâmetros corporais, mas não demonstram uma vantagem atlética consistente das mulheres transgénero sobre mulheres cisgénero em medidas como força ou consumo máximo de oxigénio.

Ainda assim, a evidência é heterogénea e limitada. Faltam estudos robustos em atletas de elite, por modalidade, nível competitivo e performance real.

Na Medicina Desportiva, a resposta não deve ser ideológica nem simplista.

Deve ser baseada em evidência, contexto, justiça competitiva, inclusão, segurança e avaliação específica por modalidade.

📚Referência:
1.Sieczkowska SM, Mazzolani BC, Coimbra DR, et al. Body composition and physical fitness in transgender versus cisgender individuals: a systematic review with meta-analysis. British Journal of Sports Medicine. 2026;60(3):198-217. doi: 10.1136/bjsports-2025-110239

A 39.ª edição do FIMS World Congress of Sports Medicine decorrerá em Santiago, Chile, entre 24 e 27 de setembro de 2026....
08/06/2026

A 39.ª edição do FIMS World Congress of Sports Medicine decorrerá em Santiago, Chile, entre 24 e 27 de setembro de 2026.

Organizado no âmbito da International Federation of Sports Medicine, este congresso reúne profissionais, clínicos, investigadores e especialistas internacionais em Medicina Desportiva, promovendo a partilha de conhecimento científico, atualização clínica e colaboração global.

O programa científico inclui temas centrais para a prática atual, como medicina do futebol, antidopagem, reabilitação, ecografia em Medicina Desportiva, desporto olímpico e paralímpico, nutrição desportiva, ortobiologia, atividade física e saúde.

A edição de 2026 assume ainda uma mensagem particularmente relevante: “Sports Medicine for Every-Body” — reforçando uma visão mais inclusiva, abrangente e aplicada da Medicina Desportiva.

As inscrições encontram-se abertas, com fase de pré-registo disponível até 21 de agosto de 2026.

Mais informações e inscrições:
www.fims2026santiago.cl

Para apoio ao registo:
[email protected]

De 13 a 20 de junho de 2026, a Croácia recebe a 45.ª edição dos Medigames — World Medical and Health Games.Criados em 19...
05/06/2026

De 13 a 20 de junho de 2026, a Croácia recebe a 45.ª edição dos Medigames — World Medical and Health Games.

Criados em 1978, os Medigames são um encontro internacional dirigido a profissionais de saúde e estudantes da área médica, combinando competição desportiva, partilha entre pares e atualização científica.

Mais do que uma competição, o evento reúne participantes de vários países em torno de uma ideia central: promover o desporto, a saúde e a ligação entre profissionais que vivem, estudam e trabalham no cruzamento entre exercício, medicina e bem-estar.

A edição de 2026 inclui uma semana de competições, cerimónias, momentos de networking e o International Sports Medicine Symposium, com sessões dedicadas a temas como sistema cardiovascular e desporto, atividade física e saúde.

Para a Medicina Desportiva, eventos como este reforçam uma mensagem essencial: quem promove saúde através do exercício deve também reconhecer o valor da prática desportiva, da colaboração internacional e da formação contínua.

🔹Fonte
Medigames — World Medical and Health Games.

O desporto adaptado está a crescer em África e em vários países de baixo e médio rendimento.Mas a investigação em medici...
02/06/2026

O desporto adaptado está a crescer em África e em vários países de baixo e médio rendimento.

Mas a investigação em medicina desportiva ainda não acompanha, de forma suficiente, essa realidade.

Um editorial publicado no British Journal of Sports Medicine chama a atenção para uma lacuna crítica: muitos dos dados disponíveis sobre atletas com deficiência vêm de contextos de elevado rendimento, com sistemas de saúde, infraestruturas, recursos e vias de acompanhamento muito diferentes.

Isto limita a aplicação direta desses resultados a países onde os atletas podem enfrentar barreiras adicionais: menor acesso a cuidados de saúde, dificuldades de transporte, custos elevados, menor disponibilidade de equipamento adequado, limitações digitais, menor literacia em saúde, estigma e menos oportunidades competitivas.

Em África, o movimento paralímpico tem crescido de forma relevante. Mas esse crescimento deve ser acompanhado por investigação que responda às necessidades reais dos atletas.

Não basta estudar lesões e doenças de forma isolada.

É necessário compreender também o contexto em que os atletas vivem, treinam e competem: saúde mental, sono, bem-estar, exposição a abuso ou assédio, barreiras à participação, acesso a cuidados e impacto socioeconómico do desporto.

A mensagem é clara: uma medicina desportiva verdadeiramente inclusiva precisa de produzir ciência que represente todos os atletas. Incluindo aqueles que competem em ambientes com menos recursos.

📚Referência
1.Runciman P, Adam F, Fagher K, Halvorsen Wik E, Derman W. Closing the gap: a call for contextual disability sport research in Africa and low- and middle-income countries. British Journal of Sports Medicine. 2026;60(10):685-686. doi: 10.1136/bjsports-2025-110114



A participação de mulheres e raparigas no desporto continua a crescer.Mas a prevenção de lesões nem sempre acompanhou es...
31/05/2026

A participação de mulheres e raparigas no desporto continua a crescer.
Mas a prevenção de lesões nem sempre acompanhou essa evolução com a mesma qualidade científica.

O consenso FAIR — Female, woman and/or girl Athlete Injury pRevention — publicado no British Journal of Sports Medicine e desenvolvido com apoio do Comité Olímpico Internacional, propõe recomendações práticas para melhorar a prevenção de lesões em atletas mulheres e raparigas.

O documento reúne 56 recomendações, incluindo áreas como:
– estratégias de prevenção primária;
– prevenção secundária após lesão;
– factores de risco modificáveis;
– implementação prática das intervenções;
– ambientes desportivos mais seguros e sensíveis ao s**o e ao género;
– políticas, equipamentos, treino e comunicação.

A mensagem central é importante: prevenir lesões em atletas mulheres não é assumir fragilidade.
É reconhecer especificidade.
É compreender que factores biológicos, sociais, contextuais, organizacionais e de acesso aos cuidados podem influenciar o risco de lesão e a eficácia das estratégias preventivas.
Mais participação exige mais ciência.
Mais ciência exige melhor implementação.

Referência:
1.Crossley KM, Whittaker JL, Patterson B, et al. Female, woman and/or girl Athlete Injury pRevention (FAIR) practical recommendations: International Olympic Committee (IOC) consensus meeting held in Lausanne, Switzerland, 2025. British Journal of Sports Medicine. 2025;59(22):1546-1559. doi: 10.1136/bjsports-2025-110889

O primeiro ano após o parto é uma fase de recuperação, adaptação e reorganização física e emocional.Mas é também uma jan...
29/05/2026

O primeiro ano após o parto é uma fase de recuperação, adaptação e reorganização física e emocional.

Mas é também uma janela importante para promover saúde.

Em 2025, a Canadian Society for Exercise Physiology publicou novas recomendações sobre atividade física, comportamento sedentário e sono no primeiro ano pós-parto.

Para mulheres sem contraindicações médicas, a orientação é clara: o regresso à atividade física deve ser gradual, individualizado e clinicamente seguro.

As principais recomendações incluem:

– progredir até pelo menos 120 minutos semanais de atividade física moderada a vigorosa;
– distribuir essa atividade por 4 ou mais dias por semana;
– combinar exercício aeróbio com treino de força;
– iniciar mobilização ligeira de forma precoce, quando clinicamente adequado;
– realizar exercícios do pavimento pélvico diariamente;
– reduzir o tempo sedentário;
– garantir nutrição, hidratação e sono adequados, especialmente durante a amamentação.

A mensagem mais importante?

Mesmo quando não é possível cumprir todas as recomendações, pequenos aumentos na atividade física já podem trazer benefícios relevantes para a saúde física e mental no pós-parto.

O exercício no pós-parto não deve ser encarado como pressão para “voltar ao corpo anterior”.

Deve ser visto como uma ferramenta de recuperação, saúde, autonomia e bem-estar.

Referência:
1.Davenport MH, Ruchat SM, Jaramillo Garcia A, et al. 2025 Canadian guideline for physical activity, sedentary behaviour and sleep throughout the first year post partum. British Journal of Sports Medicine. 2025. doi: 10.1136/bjsports-2025-109785

Os atletas paralímpicos continuam sub-representados em muitos estudos de medicina desportiva.Um estudo publicado no Brit...
27/05/2026

Os atletas paralímpicos continuam sub-representados em muitos estudos de medicina desportiva.

Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine avaliou 156 jogadores de elite de parafutebol no Reino Unido, submetidos a avaliação pré-participação com questionário clínico, ECG de 12 derivações e ecocardiograma.

Os resultados foram comparados com 1000 jogadores de futebol não paralímpico, ajustados por s**o e etnia.

A principal conclusão é relevante: os jogadores de parafutebol apresentaram maior probabilidade de diagnóstico de patologia cardíaca com necessidade de vigilância ou acompanhamento clínico.

Além disso, foi observada uma maior prevalência de doença cardíaca associada a risco de morte súbita cardíaca, reforçando a importância de estratégias de rastreio adaptadas a esta população.

A mensagem é clara:
o rastreio cardíaco no desporto não deve ser pensado apenas para atletas sem deficiência.

No para-desporto, a avaliação deve ser criteriosa, inclusiva e baseada em evidência.

Referência:
1.Yamagata K, Weiler R, Bhatia RT, et al. Outcomes of cardiac screening in elite para-football players in the United Kingdom. British Journal of Sports Medicine. 2025/2026. doi: 10.1136/bjsports-2025-110406

A atividade física é uma das ferramentas mais relevantes, acessíveis e custo-efetivas para a promoção da saúde.No contex...
25/05/2026

A atividade física é uma das ferramentas mais relevantes, acessíveis e custo-efetivas para a promoção da saúde.

No contexto oncológico, a evidência tem reforçado o seu papel ao longo do continuum de cuidados, desde a prevenção até ao acompanhamento durante e após o tratamento, sempre com adaptação individual e supervisão adequada quando necessário.

Mas existe uma diferença crítica entre saber que a atividade física é importante e conseguir implementá-la nos sistemas de saúde.

Um editorial publicado no British Journal of Sports Medicine chama a atenção para esse desafio na África Subsariana: integrar a atividade física nos cuidados oncológicos e na prevenção do cancro exige mais do que recomendações gerais.

Exige políticas, formação, equipas multidisciplinares, vias de referenciação, programas culturalmente adaptados e acesso real para a população.

A mensagem é global:
a atividade física não deve ficar apenas no discurso científico.

Deve chegar à prática clínica, à comunidade e aos sistemas de saúde.

Referências:
1.Douryang M, Irma Belinda YN, Pillay L. Physical activity implementation for cancer care and prevention in Sub-Saharan Africa: a call to action. British Journal of Sports Medicine. 2026;60(4):233-234. doi: 10.1136/bjsports-2025-110720

2.Campbell KL, Winters-Stone KM, Wiskemann J, et al. Exercise Guidelines for Cancer Survivors: Consensus Statement from International Multidisciplinary Roundtable. Medicine & Science in Sports & Exercise. 2019;51(11):2375-2390. doi: 10.1249/MSS.0000000000002116

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