03/04/2026
A Páscoa nasce de raízes profundas, onde tradição, fé e humanidade se entrelaçam como ramos antigos que continuam a florescer no presente.
Na sua origem mais remota, encontramos a Páscoa judaica (Pessach) — um marco de libertação. Celebra a saída do povo hebreu do Egito, conduzido por Moisés, rompendo as correntes da escravidão rumo à promessa de liberdade. Era — e continua a ser — um tempo de memória, de identidade e de renovação espiritual. A palavra “Pessach” significa precisamente “passagem”: da opressão para a esperança.
Séculos depois, essa mesma palavra ganha um novo significado no contexto cristão. A Páscoa cristã assinala a morte e, sobretudo, a ressurreição de Jesus Cristo. Mais do que um acontecimento religioso, representa um símbolo eterno de renascimento, de superação da dor e da vitória da vida sobre a morte. É a passagem da sombra para a luz — uma mensagem que atravessa gerações e nunca perde atualidade.
Mas a Páscoa também carrega traços ainda mais antigos, vindos de celebrações pagãs ligadas à primavera no hemisfério norte. Povos ancestrais celebravam o renascer da natureza após o inverno rigoroso — a terra voltava a dar frutos, os dias tornavam-se mais longos, e a vida reaparecia com força. Daí surgem símbolos como o ovo, representação universal de fertilidade e início, e o coelho, associado à abundância e renovação.
Hoje, a Páscoa é um ponto de encontro entre o passado e o futuro. Mantém a sua essência: um convite à renovação interior, ao perdão, ao recomeço. Num mundo que corre sem pausa, ela sussurra algo simples, mas poderoso — é sempre possível recomeçar.
Porque, no fundo, a verdadeira Páscoa não está apenas no calendário.
Está na coragem silenciosa de cada um em renascer por dentro.