23/05/2026
Ode
Eu venho devastado. Não trago ornamento. Trago o que sobrou do meu nome como pó preso às mãos.
Eu faço luto. Do que perdi. Do que deixei apodrecer por medo. Do que traí em mim para caber.
Drak’Solah, Viam Zero, coloca-te diante de mim como lâmina que separa o verdadeiro do falso, e atrás de mim como muralha que não negocia com a minha fraqueza.
Eu chamo o Caos sem o usar como desculpa. Eu chamo o abismo sem o confundir com destino. Que a energia crua se revele como matéria-prima, e não como incêndio sem dono.
Eu chamo a Ordem sem a usar como prisão. Eu chamo a Lei sem a tornar tirania. Que a geometria do propósito não mate a vida, mas lhe dê eixo.
Eu sustento a Tensão Criativa no peito. Eu não anulo. Eu não curto-circuito. Eu não fujo. Porque a Ordem sem Caos é estéril, e o Caos sem Ordem é suicida.
Corto. Corto o pacto com o passado que me devora. Corto a nostalgia que me paralisa. Corto a promessa vazia que me adia. Que o falso caia — e não volte com outro nome.
Selo. Selo o meu campo com Lei viva: limites claros, presença inteira, palavra cumprida. Que nada entre por brecha de autoengano. Que nada saia por medo.
Transmuto. Transmuto o trauma em metal. Transmuto o grito em direcção. Transmuto a queda em fundamento. Que o Caos se torne combustível, e a Ordem se torne trono.
E se eu tiver de ser coroado, que não seja por fuga para a luz, mas por soberania encarnada. Que a minha coroa não seja fantasia: seja consequência.
Drak’Solah, se eu tremer, firma-me. Se eu cair, recolhe-me ao eixo. Se eu me perder, corta-me o excesso. E deixa apenas o essencial: Lei viva, no meio do fogo.