06/02/2026
A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) lançou, esta quinta-feira, um guia prático que visa orientar e ajudar as populações afetadas pelas intempéries que têm assolado Portugal a recuperar das marcas emocionais. O documento, que foi elaborado em colaboração com a Direção-Geral da Saúde e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), contém não só conselhos gerais, como também recomendações sobre como agir e acutelar as emoções das crianças e jovens.
“Recuperar dos impactos de tempestades e inundações pode ser desafiante e confuso. Quando somos ameaçados podemos sentir medo e ter todas as nossas forças direcionadas para tentar sobreviver ou para salvar os nossos pertencentes. Quando sobrevivemos a uma situação deste tipo, a nossa primeira reação pode ser de alívio e/ou de incredulidade”, contextualizou o guia, denominado “Como Recuperar Emocionalmente de Situações de Tempestade e Inundações?”.
Contudo, e findo “o período de maior chuva, vento ou inundações”, o documento salientou que “é natural sentirmos medo do que o futuro nos reserva, f**armos em choque e sentirmo-nos incapazes de reagir”.
“Podemos, também, sentir tristeza ou raiva e um sentimento de injustiça de vermos a nossa segurança e aquilo que construímos ao longo do tempo ter sido danif**ado ou levado pela água e/ou pela força do vento. Cada pessoa reage à sua maneira e ao seu ritmo – não há o certo e o errado; são reações naturais as que virmos manifestarem-se”, apontou.
Tendo em conta que “as inundações e as tempestades podem deixar marcas físicas e danif**ar os nossos pertences”, é também natural “sentirmos urgência em reparar rapidamente o que ficou destruído para evitar novas perdas”. Ainda que essa urgência seja justif**ada, pode levar-nos a colocar a nossa segurança em causa e a tomar decisões arriscadas, entre elas subir a telhados ou mexer em estruturas instáveis e em sistemas elétricos. Nessa linha, o guia sublinhou que “proteger a vida (a nossa e a dos outros) deve vir sempre primeiro”, pelo que “só depois será tempo de recuperar e reconstruir”.
Uma vez que estas situações podem deixar marcas a nível emocional, deverá:
ACEITAR O IMPACTO EMOCIONAL DAS INTEMPERIES: As autoridades reforçaram que “sentir emoções intensas é uma parte da resposta natural a tempestades e inundações”, sendo que, “por muito dolorosas que sejam, para que diminuam, é preferível expressá-las, em vez de as ignorar ou evitar”.
FALAR SOBRE O QUE SENTE : Falar ajuda, mesmo que ainda não se sinta preparado para o fazer. No entanto, também é válido f**ar em silêncio quem confia.
RESISTOR A VONTADE DE RESOLVER TUDO SOZINHO E DE UMA VEZ : É compreensível querer voltar ao normal, mas esse sentimento de urgência pode aumentar o risco de acidentes. Foque-se em pequenas coisas de menor risco”, apelaram. GERIR O CONSUMO DE NOTÍCIAS : Apesar de ser importante manter-se informado, o documento apontou que “estar sempre exposto às notícias ou imagens dos danos, destruição e sofrimento das pessoas pode causar-nos ainda mais sofrimento”. “Dê sempre preferência a fontes oficiais e, se a informação a que acede está a deixá-lo mais ansioso, reduza a visualização de notícias.”
(Re)ESTABELECER COMPORTAMENTOS DE AUTOCUIDADO: Procure retomar ou investir no autocuidado, não só para recuperar alguma normalidade, mas também para ter alguma perceção de controlo e de segurança.
E EM RELAÇÃO ÁS CRIANÇAS ? Deverá:
MANTER A SEGURANÇA: Os perigos podem continuar depois da chuva e do vento passarem. As crianças podem estar mais vulneráveis a acidentes quando há detritos, buracos escondidos por água, árvores caídas, cabos elétricos, vidros, lama, entre outros riscos.
ESTAR FÍSICA E EMOCIONALMENTE DISPONÍVEL :As autoridades lembraram que os mais novos podem “precisar de colo” e contacto físico adicional, enquanto outras crianças ou jovens podem preferir o diálogo ou o tempo em família. “A nossa atenção, conforto e encorajamento oferece-lhes segurança. Olhar diretamente nos olhos da criança/jovem e dizer-lhe que estamos com ela/e pode ser suficiente para a acalmar”, aconselharam.
VALIDAR O QUE ESTÃO A SENTIR : Procure incentivar as crianças e jovens a expressar o que estão a sentir, e reforce que aquilo que sentem é compreensível e natural. Deverá evitar dizer coisas como “não te preocupes” ou “já viste a sorte que tens?”, já que estas afirmações podem fazer com que os mais novos se sintam desvalorizadas ou criticados.
RESPONDER A DÚVIDAS : Muitas crianças precisam de organizar a ‘história’ do que aconteceu (antes, durante e depois). Pode ser útil oferecermo-nos para responder às suas questões sobre as inundações ou tempestades.
MANTER AS ROTINAS : Manter ou desenvolver rotinas para as refeições, as atividades e a hora de dormir pode conceder muita segurança às crianças e jovens.
(OPP)