04/07/2025
A morte. A sempre inexplicável morte, que chega por vezes sem aviso e que nos relembra da finitude e fragilidade da vida. E foi precisamente com esse tema que surgiu o meu 1⁰ caso de sempre, ainda no estágio académico, de uma menina orfã de pais.
A partir desse dia e também numa fase em que estava eu própria no luto da morte da minha avó, trabalhar este tema tem sido especial e único para mim. Desde aí tem-me chegado vários tipos de luto. De histórias carregadas de dor mas também superação. De pais, filhos, irmãs, relações. Quando morre alguém conhecido há uma espécie de consciencialização social do mais certo que conhecemos mas que nunca nos queremos lembrar, como se se soubessemos vivessemos um bocadinho menos. A morte é como diz Pessoa "a curva da estrada", o mais certo que conhecemos e ao mesmo tempo o mais desconhecido. É por isso assustador pensá-la, para a maior parte das pessoas. É o expoente máximo do que representa o desconhecido. E não só é desconhecido como representa o fim de tudo o que conhecemos. Como trabalhar com a ideia de fim num mundo acelerado, que muitas vezes nega todo e qualquer espaço mental para parar, processar, experienciar. Não será o mundo de hoje oposto a qualquer forma de luto? Sim, aquele luto sem tempo nem espaço, que não exige, que não pede, só aguarda. Só aceita. Aceita o tempo, os espaços, os ritmos, as lágrimas, a negação, a incredubilidade, a surpresa, a incerteza, a frustração, a raiva, a culpa. Tudo. Aceita até a falta de sentido para o que aparentemente não tem sentido nenhum e resignif**a experiências. O processo de luto vive como todos os processos do "estar" e não "do existir". O meu respeito e admiração por todos os que se permitem senti-lo, vivê-lo, aguardá-lo e acolhê-lo em terapia. Que o deixam existir, mesmo congelados pela dor.