23/06/2026
Muito se tem escrito e falado sobre a nossa Seleção e sobre o alegado impacto negativo que Cristiano Ronaldo tem atualmente na equipa.
Mas o futebol há muito que deixou de ser apenas aquilo que acontece dentro das quatro linhas.
No último jogo, tive dificuldade em encontrar nas bancadas outro número que não fosse o 7. Entras num Uber ou num táxi em praticamente qualquer parte do mundo, dizes que és português e a primeira pessoa que identificam é o CR7.
O Cristiano representa muito. É o espelho do sonho de um miúdo madeirense, de origens humildes, que trabalhou incansavelmente para alcançar aquilo que muitos julgavam impossível. Hoje, inspira não só os portugueses, mas milhões de jovens espalhados pelo mundo.
O futebol há muito que deixou de ser apenas aquilo que acontece dentro das quatro linhas.
E fora das quatro linhas, não vejo ninguém com o impacto que Cristiano Ronaldo continua a ter. As pessoas esperam horas para o ver à porta do hotel, no treino, no aeroporto ou no estádio. Vão porque querem testemunhar um pedaço da história.
E mesmo olhando apenas para o plano desportivo, continuo a achar que Portugal não tem, neste momento, um substituto que ocupe esse lugar de forma natural e indiscutível.
Por uma questão de empatia, mas sobretudo de gratidão, sinto que ainda não chegou a hora do nosso CR7.
Hoje vou apoiar a nossa Seleção com o mesmo orgulho de sempre. Vou manifestar a minha frustração quando o Ronaldo falhar um remate ou perder uma bola, como acontece com qualquer jogador. Mas vou também celebrar e vibrar se marcar, assistir ou decidir um jogo.
E digo-vos uma coisa: sinto-me privilegiado por ter vivido esta era. Por ter sido testemunha, durante tantos anos, de tantos momentos extraordinários protagonizados por este rapaz. Porque, no fim, as memórias e as alegrias que ele nos deu já fazem parte da história de Portugal.