09/09/2026
Há nove meses eu não sabia nadar.
Tinha medo de entrar na água onde não tivesse pé. Estar em alto mar era uma ideia tão distante de mim que nem sequer me permitia imaginá-la.
Na semana passada passei oito dias num navio, atravessei o Mediterrâneo, conheci lugares que nunca pensei conhecer e, algures em alto mar, recebi um troféu pelo meu trabalho na música e pelo Samatvam Project.
Ainda me custa escrever esta frase.
Talvez por isso tenha demorado a partilhar estes dias. Não porque não fossem importantes. Precisamente pelo contrário.
Quis vivê-los primeiro.
Cada vez sinto menos necessidade de mostrar enquanto as coisas estão a acontecer. Não quero viver ao ritmo das redes sociais, nem transformar cada momento numa coisa para publicar. Quero estar onde estou. Quero olhar. Sentir. Ouvir. Guardar. E só depois, quando as palavras chegarem, partilhar.
E agora chegaram.
Fui até este cruzeiro a convite de uma grande amiga, Ana Miranda, para a acompanhar ao violino no lançamento do seu livro durante o Troféu Destaque em Alto Mar, organizado pela Kelly Carmona Produções.
O momento que criámos foi tão especial que fomos convidadas a repeti-lo no dia seguinte. Toquei também nos cocktails de boas-vindas e, no meio de tudo isto, fui surpreendida com este reconhecimento na área da música.
E que estranho e bonito é segurar este troféu.
Porque eu sei tudo aquilo que ele não mostra.
Não mostra os anos de trabalho. As horas de estudo. As dúvidas. As desilusões. As vezes em que achei que estava a construir sem saber exatamente onde aquilo me levaria. Nem todas as vezes em que os outros acreditaram em mim antes de eu própria conseguir fazê-lo.
Durante muito tempo há coisas que crescem como raízes. Debaixo da terra. Em silêncio. Sem provas de que estão realmente a crescer.
Até ao dia em que começam a brotar.
E talvez seja isso que este troféu representa para mim.
Não apenas a Cátia violinista.
Não apenas o Samatvam Project.
Representa uma mulher que há nove meses não sabia nadar e que, entretanto, aprendeu que muitos dos limites que carregava não eram necessariamente os limites daquilo que podia viver.
Há uma nova Cátia aqui.
Mais inteira. Mais segura. Com muito mais consciência daquilo que quer e também daquilo que já não quer. Uma Cátia que começa, finalmente, a ocupar o seu lugar sem pedir licença e sem precisar de ser perfeita para o fazer.
Estas fotografias também não são perfeitas. E ainda bem.
São pedaços verdadeiros de oito dias que me fizeram muito feliz. E prefiro guardar a verdade do momento do que tentar transformá-lo numa imagem impecável.
Obrigada, Ana, por tanto e por teres sido uma pessoa tão especial em todo este processo. 🤍
Obrigada à Kelly Carmona Produções pelo reconhecimento e por este Troféu Destaque em Alto Mar.
E obrigada às pessoas que se cruzaram comigo nestes dias e que tornaram esta experiência ainda maior. Algumas chegaram agora. Outras já estavam. E algumas, tenho a sensação, vieram para f**ar.
Regresso com um troféu nas mãos.
Mas aquilo que trouxe verdadeiramente comigo não cabe numa fotografia.
Samatvam. 🤍🌱