18/09/2026
Quando os pais não se dão, ou pior, quando se odeiam, existe algo que muitas vezes esquecemos: para um filho, aquele homem continua a ser o pai. E aquela mulher continua a ser a mãe.
E, sistemicamente, isto pode tornar-se muito pesado.
Porque uma criança não vê apenas dois adultos que não se suportam. A origem dela está nos dois.
Parte de mim vem do pai.
Parte de mim vem da mãe.
Quando uma dessas partes é constantemente rejeitada, criticada ou desvalorizada, tornar-se mais difícil para o filho sentir que também pode amar e aceitar essa parte de si.
É por isso que é tão importante separar duas relações que não são a mesma coisa: a relação amorosa e a relação parental.
Um casal pode deixar de funcionar. Pode existir mágoa, conflito, até a certeza de que não devem continuar juntos.
Mas ser um mau marido ou uma má esposa não tem de significar ser um mau pai ou uma má mãe.
Porque aquele será sempre o pai daquele ser.
E aquela será sempre a mãe.
E aquele ser será sempre, de alguma forma, parte dos dois.
Não se trata de obrigar os pais a gostarem um do outro. Trata-se de não colocar o filho numa posição em que, para amar um, sinta que precisa de rejeitar o outro. Os filhos não têm nem deve estar no meio da relação do casal!
Porque quando rejeitamos uma das partes que o compõem, podemos estar a tornar mais difícil para ele integrar uma parte importante de quem é.
E talvez uma das maiores formas de amor que podemos dar a um filho seja permitir-lhe amar os dois sem sentir que está a trair ninguém. 🤍