26/05/2026
Ao longo de muitas décadas, na educação, na saúde e na sociedade em geral, imperou uma abordagem do erro centrada na pessoa, onde os erros são vistos como resultado de fragilidade, incapacidade ou desinteresse.
Esta visão tende a gerar culpa, sentimentos de incompetência e inferioridade, bem como medo de falhar, de arriscar e de experimentar, enfraquecendo a confiança e o potencial individual. Neste contexto, o erro é frequentemente escondido para evitar exposição ou crítica, perdendo se importantes oportunidades de aprendizagem e crescimento.
E, se as pessoas soubessem tudo, porque precisariam dos pais, da escola, dos colegas, dos Outros? E bastaria imitar o que se aprende ou há lugar à recriação e à novidade?
O erro é necessário para a inovação e para a criatividade.💡
Felizmente, num lugar diametralmente oposto, encontram-se profissionais de saúde, da educação, pais, entre outros, que consideram mais útil uma abordagem centrada no sistema, onde os seres humanos são apenas uma parte e importa mais compreender as tarefas e as condições ambientais que garantem maiores probabilidades de eficácia do que recorrer a ações disciplinares ou punitivas a quem se desvia da “norma”
Como refere Neus Sanmartí, aprender não é apenas incorporar conhecimentos a uma mente vazia, mas reconstruí-los a partir de outros já conhecidos, revendo conceções iniciais e refazendo práticas. Einstein dizia que boa parte do seu trabalho consistia em detetar erros na resolução de problemas e superá-los um a um.
O erro é, assim, um importante indicador dos obstáculos que o pensamento e o comportamento encontram para crescer. Ao compreender a sua origem, torna-se possível definir estratégias mais eficazes, ajustar processos e explorar caminhos alternativos nunca antes considerados. 🌱
Errare necesse est! ✨
(Errar é necessário!)
Valéria Sousa-Gomes e Olímpia Moreira | Psicologia Clínica e Psicoterapia e Terapia da Fala