08/09/2026
Bom ano letivo 😎
Brinquem muito e sejam felizes 🥳🥳
E, depois, há os pais. Que, de uma semana para a outra, deixam a tranquilidade do sol e têm de montar toda um logística complicadíssima onde se conjugam o trabalho, a escola e as actividades extra-curriculares e a agitação de andar cidade-acima cidade-abaixo a fazer de Uber, pelos próximos meses. E o material escolar, as inscrições na natação, no futebol, na dança e em tudo o mais, e a necessidade carregar o cartão de cada criança com um plafond já para o próximo mês. E as t-shirts e todo o vestuário que muitas escolas entendem exigir. E as chuteiras e o material de desporto. O fato e as sapatilhas de ballet. E a roupa e os sapatos de outono/inverno. E há os livros, e a necessidade de os encadernar e de pôr o nome luminoso de cada filho em todas as capas. E a agitação de saltar duma superfície comercial para outra e preparar tudo ao pormenor, desde a lancheira, às novas refeições e a um sem número de pormenores que se seguem uns aos outros. Finalmente, fazem-se as contas. E cai-se para o lado, quando se descobre, uma vez mais, que a escola talvez não seja tão para todos como se repete por aí. E que há uma diferença (enorme!) entre ter livros e cadernos usados e esse material a brilhar de orgulho e a cheirar a novo.
Não, o ano novo não é em Janeiro. Começa em Setembro. E desbarata, muito depressa, as pilhas carregadas nas férias. O importante seria que, depois desta avalanche, chegasse, a seguir, a calmaria. Mas não vai ser assim. Há o stress e a agitação de todos os dias. Demasiada escola dentro da escola e um exagero de escola fora da escola. A ausência (assustadora!) de recreios e de tempos para brincar. A exigência de resultados, desde o minuto zero, a toda a hora. A ideia que tem de se aprender depressa, com as respostas na ponta da língua, sem tempo para pôr perguntas ou dúvidas ou errar, nem para ir da curiosidade ao espanto, leve o tempo que isso tiver de levar.
Antes da escola abrir as suas portas, eu queria que ela fechasse. Dois dias. Para balanço. Para que - então, sim - abra com outra gerência. De forma a que um novo ano queira dizer uma nova escola. Que pense o futuro. E se abra para o amor de conhecer como devia.
Bom Ano Novo!