09/09/2026
E se o bruxismo não fosse apenas um problema da mandíbula?
Uma nova revisão publicada em 2026 analisou 22 estudos e 15.889 participantes para investigar a relação entre o refluxo gastroesofágico (DRGE) e o bruxismo.
Os resultados chamam a atenção:
🔹 A maioria dos estudos observacionais encontrou uma associação positiva entre DRGE e bruxismo.
🔹 Em alguns estudos, essa associação foi expressiva: o bruxismo do sono apresentou um OR de 6,71, enquanto o bruxismo em vigília apresentou um OR de 13,06.
🔹 Nos estudos experimentais, a acidificação do esófago aumentou a atividade dos músculos mastigatórios, incluindo a atividade rítmica mastigatória e a atividade do masséter.
🔹 E um dado ainda mais interessante: estudos com inibidores da bomba de protões observaram uma redução da frequência da atividade rítmica dos músculos mastigatórios (RMMA).
⚠️ Isto não significa que “o refluxo cause bruxismo”.
A própria revisão alerta que a heterogeneidade dos estudos e a presença de diversos fatores de confusão ainda limitam as conclusões causais.
Mas a mensagem clínica é poderosa:
Se avalias o bruxismo olhando apenas para dentes, músculos e ATM, podes estar a deixar de investigar uma parte importante do paciente.
🧠 Sono, stress, sistema nervoso autónomo, fatores gastrointestinais e outros componentes podem participar na expressão clínica do bruxismo.
É por isso que uma avaliação realmente clínica não começa por perguntar apenas:
❓ “Onde dói?”
Começa por perguntar:
❓ “O que está a modular este sistema?”
A ciência está cada vez mais a apontar par
a uma compreensão multifatorial e integrada do bruxismo.
E isso muda a forma como devemos avaliar, raciocinar e tratar. 🧠🦷
📚 VLG et al. Association between gastroesophageal reflux and bruxism: a scoping and bibliometric review. Brazilian Oral Research. 2026;40:e046.
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