03/06/2026
Tens HPV e provavelmente já fizeste tudo o que te disseram:
O tratamento.
As consultas.
A vigilância.
Mas ninguém te perguntou o que estava guardado por baixo. Ninguém te perguntou como foi crescer com o teu pai.
Se ele estava presente — de verdade.
Se te sentiste protegida.
Se havia um masculino na tua vida que te fizesse sentir segura.
Porque na minha experiência a acompanhar mulheres, há quase sempre a mesma raiz.
Uma menina que cresceu sem esse amparo.
Que aprendeu a não precisar.
Que guardou a mágoa, a raiva, a decepção,
no lugar mais profundo que tem.
Mas muitas vezes esta ferida não começa em ti.
Vem da tua mãe.
Da tua avó.
De mulheres que vieram antes de ti
que também não foram protegidas pelo masculino.
Que também aprenderam a engolir.
Que também guardaram tudo em silêncio.
E esse silêncio passou de útero em útero.
De geração em geração.
Até chegar ao teu corpo.
O útero não guarda apenas as tuas memórias.
Guarda as delas também.
O corpo não mente.
Ele fala o que nunca foi dito.
O HPV pode ser uma dessas formas.
Se ao ler isto algo em ti parou escreve “PAI” nos comentários.
Quero falar contigo. ❤️