03/09/2026
Há uma estranheza bonita em estar longe e, ainda assim, reconhecer um pedaço de casa em lugares onde nunca estivemos. Encontrar, em paisagens que julgávamos desconhecidas, um pedaço de nós.
Viajar é guardar memória e a verdadeira viagem não é geográfica. É interior. Por entre encontros e desencontros, acabamos sempre por regressar ao “nosso” lugar. Como se a vida nos devolvesse fragmentos de uma pertença antiga. De uma casa que nunca deixámos verdadeiramente de habitar.
Talvez esse seja o maior mistério das viagens. Quanto mais longe vamos, mais perto podemos chegar. O aparente vazio da imensidão onde, tantas vezes, nos encontramos profundamente preenchidos.
Vazio e imensidão. Duas palavras que parecem opostas, mas que se encontram exatamente no ponto onde a vida mais nos transforma. Porque, antes de preencher, é preciso esvaziar. Antes de chegar, é preciso partir. Antes de regressar, é preciso perder o caminho.
Hoje são 37. Curiosamente, sinto-me mais jovem do que nunca. Não porque tenha menos anos, mas talvez porque carrego menos peso. Menos urgência de provar. Menos medo de ser. Mais liberdade para viver.
Recebo este novo ciclo sem querer controlar tudo o que virá. Com a serenidade de quem já percebeu que a vida sabe conduzir melhor do que nós, quando lhe damos espaço.
Que venha tudo o que tiver de ser.
Grata a Deus e à Vida.
Sempre!
✨🤍