28/09/2026
Ela tinha pouco mais de 20 anos.
Jovem, vaidosa, cheia de planos…
mas convivia com uma escoliose que já não incomodava apenas pela dor.
Incomodava quando ela se olhava no espelho.
Na roupa que escolhia.
Na forma como enxergava o próprio corpo.
E chega um momento em que a gente entende que algumas dores não aparecem no raio-X.
Conversamos muito. Avaliamos os riscos, as possibilidades e decidimos juntos pela cirurgia.
A cirurgia passou.
A recuperação veio.
E hoje ela está bem, retomando a vida e construindo uma nova relação com o próprio corpo.
Mas, recentemente, ela me fez um pedido diferente:
“Doutor, posso fazer uma tatuagem perto da cicatriz?”
Depois de liberada para isso, ela fez.
E quando vi o resultado, achei lindo.
Não apenas pela tatuagem.
Mas pelo que ela representa.
Porque aquela cicatriz, que poderia ser lembrada apenas como a marca de uma cirurgia, passou a fazer parte da história de uma vitória.
Ela não tentou apagar o que viveu.
Ela transformou.
E talvez essa seja a mensagem para quem está começando agora uma jornada parecida:
A escoliose pode fazer parte da sua história.
A cirurgia pode deixar uma cicatriz.
Mas nenhuma delas precisa definir quem você é.
Algumas marcas não contam apenas aquilo que sofremos.
Contam também aquilo que conseguimos superar.