07/10/2026
A “cólica do lactente”, como sempre a conhecemos, mudou de nome.
Nos novos critérios de Roma V, o termo cólica do lactente foi substituído por Síndrome do Desconforto do Lactente. 🍼
Mas esta mudança não é apenas uma questão de palavras.
Durante muitos anos, o choro intenso dos primeiros meses foi associado quase automaticamente a gases, cólicas ou dor abdominal. Hoje sabemos que este quadro é muito mais complexo e provavelmente multifatorial.
Nos primeiros meses de vida, o aparelho gastrointestinal, a microbiota, o eixo intestino-cérebro, o sono e a capacidade de autorregulação do bebé estão ainda em maturação.
Por isso, quando um bebé chora de forma intensa ou persistente, não devemos assumir imediatamente que “são gases”. 😉
É importante olhar para vários fatores:
👉🏼 Alimentação: quantidade ingerida, técnica de amamentação ou biberão, fluxo da tetina e deglutição excessiva de ar;
👉🏼 Sintomas gastrointestinais: refluxo quando acompanhado de outros sinais, obstipação ou, em certas situações, alergia à proteína do leite de vaca;
👉🏼 Dor ou doença: otite, infeção urinária, infeção respiratória, febre ou outras causas de desconforto;
👉🏼 Causas simples que também contam: roupa apertada, temperatura, fralda, etiquetas ou até um fio de cabelo enrolado num dedo;
👉🏼 Sono e regulação: excesso de estímulos, períodos de vigília demasiado longos, sono insuficiente e dificuldade de autorregulação.
A mudança de nome traduz precisamente esta nova forma de olhar para o problema: menos centrada na ideia de “dor abdominal” e mais focada no bebé como um todo.
Quando o choro é intenso, persistente ou diferente do habitual, é importante perceber se estamos perante um padrão esperado desta fase de maturação ou se existe alguma causa que precisa de ser investigada.
É por isso que na Timeless by Marta Padilha falamos de longevidade na infância com um olhar sempre integrativo e baseado em evidência científica.
📚 Critérios de Roma V, Gastroenterology, 2026